PREFEITURA DE FLORIANÓPOLIS, EM PARCERIA COM INSTITUTO MIX, ABRE INSCRIÇÕES PARA CURSO SOBRE GESTÃO PESSOAL E PROFISSIONAL PARA PESSOAS EM VULNERABILIDADE SOCIAL

Capital catarinense não possui crianças nem famílias em situação de rua, graças à abordagem individualizada e humanizada da PMF.

A criação de políticas públicas que lidem com a população de rua de maneira digna e eficiente é um dos maiores desafios da gestão de cidades em todo o mundo, pois envolve inúmeros aspectos econômicos e psicossociais, como emprego, habitação, saúde e reinserção social, que muitas vezes esbarram no preconceito e na falta de informação da comunidade.

Entendendo a complexidade da questão, a Prefeitura Municipal de Florianópolis firmou, em maio de 2017, o Protocolo de Intenções, cujo objetivo é regularizar o plano de atuação junto à população de rua que deve ser praticado de maneira contínua. Desde então, o número de pessoas que vivem nas ruas da capital passou de cerca de duas mil para 459 (segundo dados de abril de 2019).

— Em 2018, mais de 500 pessoas em situação de rua receberam passagem para voltar ao lar em seus municípios de origem. Neste ano, já foram mais de 300. Periodicamente, são realizadas abordagens sociais, feitas por uma equipe da Assistência Social, e outras realizadas por uma equipe de sensibilização, que é formada por profissionais de organização da sociedade civil, conveniada pela PMF. É importante destacar que Florianópolis não possui famílias e nem crianças em situação de rua, e isso é resultado de um trabalho efetivo e preventivo — afirma Maria Claudia Goulart da Silva, secretária de Assistência Social.

Ouvir pessoas em situação de vulnerabilidade social é o primeiro passo para uma ação positiva

A vida nas ruas faz com que os indivíduos passem a ser marginalizados e, pior, que se tornem quase invisíveis aos olhos da sociedade. Dar voz a essas pessoas é fundamental para o sucesso do trabalho. Por isso, o atendimento realizado pelas equipes do Serviço de Abordagem Social busca conhecer as necessidades e as vulnerabilidades de cada um, para, então, realizar o encaminhamento ao serviço necessário.

A diretriz do Ministério da Saúde é de oferecer e facilitar o acesso aos serviços de saúde à população em situação de rua. Seguindo essas determinações, dependentes químicos são orientados e encaminhados para tratamento em uma das unidades do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) ou nas colônias terapêuticas. Além desses, há ainda o importante trabalho realizado pela equipe de profissionais (como psicólogos e enfermeiros) do Consultório na Rua. Vale lembrar que nenhum tratamento é compulsório, ou seja, os serviços são apresentados aos usuários, que decidem se desejam realizar os tratamentos ou não.

Quanto à questão do emprego, os que pretendem ter uma colocação no mercado de trabalho podem contar com o Instituto de Geração de Oportunidades de Florianópolis (IGEOF), que capacita, orienta e viabiliza o currículo e a contratação de pessoas em situação de rua, e também concede alimentação, transporte e inscrição aos que querem fazer concursos públicos.

Passarela Nego Quirido abre alas para a solidariedade

Além do albergue noturno e das casas de acolhimento e de passagem, um dos serviços mais procurados pelas pessoas em situação de rua é a Passarela da Cidadania, uma parceria com a Associação Brasileira Braços Abertos, que transforma a Passarela do Samba Nego Quirido em um abrigo.

Na Passarela da Cidadania, além de ser um local seguro para passarem a noite (com camas, cobertores e travesseiros), os usuários podem se alimentar gratuitamente – todos os dias, são servidas mais de 450 refeições – tomar banho, cortar os cabelos, lavar as roupas e encontrar roupas limpas vindas de doações. Atendimento psicológico e auxílio para a reinserção no mercado de trabalho são outros serviços oferecidos no local.

Permitir a entrada de cachorros na Passarela da Cidadania foi um fator determinante para convencer quem vive na rua a aceitar essa ajuda, já que as pessoas em situação de rua não abrem mão da companhia dos seus animais.

Seja com animais, seja com companheiros e demais pessoas da comunidade, incentivar relações de afeto é fundamental para o processo de humanização do cidadão e para o resgate da sua autoestima. Esse olhar humanizado é a tônica das abordagens realizadas pela PMF, que visa sensibilizar os indivíduos sobre a importância de aceitar participar dos programas oferecidos. No entanto, mesmo com esses cuidados, menos de 10% das pessoas abordadas aceitam ajuda.

Para aumentar esse número, a Prefeitura realiza forças-tarefa DOA (defesa, orientação e apoio) para cadastro, realização de exames e encaminhamento das pessoas que vivem nas ruas. Recentemente, somente em uma ação, foram atendidas 91 pessoas, das quais 11 manifestaram interesse em voltar para suas casas e receberam passagem para os municípios de origem.

Durante o atendimento, foram realizados exames para verificar a existência de doenças como sífilis e tuberculose. Os dados de cada usuário do sistema passaram a compor o cadastro do Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política Municipal da População em Situação de Rua.

Atualmente, a PMF conta com mais de 100 servidores voluntários que agem no atendimento à população de rua no município. O grande esforço de quem presta esse serviço é no sentido de devolver aos indivíduos a dignidade e a vontade de buscar meios para que a vida na rua fique no passado.

Pessoas ou instituições que queiram colaborar voluntariamente com os serviços oferecidos na Passarela da Cidadania devem se cadastrar na plataforma de voluntariado da Prefeitura Municipal de Florianópolis (somarfloripa.com) ou enviar um e-mail para [email protected].

2019-10-11T20:51:41+00:0011 outubro, 2019|Noticia|