A salinização da água do Peri seria “um caso gravíssimo no ponto de vista do abastecimento de água da cidade”, já que mais de 110 mil habitantes dependem da água do manancial

Cid Neto, geógrafo da Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis que atua no Parque da Lagoa do Peri, avalia que a possibilidade de salinização não é totalmente descartada, embora seja difícil de acontecer. Já do ponto de vista do ecossistema, ele sugere uma visão mais ampla ao analisar o caso.

O trecho da praia do Morro das Pedras conhecido como Caldeirão é considerado o ponto mais crítico, já que uma das pedras do costão se deslocou e a erosão afetou a rodovia SC-406. Uma das preocupações dos moradores da região e ambientalistas é quanto a possibilidade de salinização da Lagoa do Peri, maior corpo de água doce da Ilha de Santa Catarina, que é responsável pelo abastecimento de água do Sul da Ilha.

A maior preocupação é o rompimento da estrada. Nesse caso, teríamos uma situação temerosa para a Lagoa, já que a água do mar alcançaria parte de restinga. Mas possivelmente a prefeitura vai realizar algum tipo de obra emergencial para conter a erosão marinha — explica.

O local em situação mais crítica faz parte do Parque Municipal da Lagoa do Peri e, portanto, é de responsabilidade da Floram. Para definir uma posição sobre o assunto e debater as possibilidades de ação, a fundação convocou pesquisadores de universidades e outros setores para uma reunião ainda esta semana.

Do ponto de vista geológico, temos que lembrar que há oito mil anos toda essa parte da Lagoa do Peri era mar. Com os processos geológicos que aconteceram desde então, a Lagoa acabou isolada com relação ao mar e a água ficou plenamente doce. Essas dinâmicas naturais escapam esse tempo do ser humano, são de escala maior — considera.

Fonte: Diário Catarinense