Fraude na Meia Maratona Internacional de Florianópolis

Neste último domingo (24), a capital catarinense foi palco de mais uma excelente prova organizada pela Corre Brasil: a Meia Maratona Internacional de Florianópolis.

Por Joelson Coelho

O evento contou com mais de 6 mil atletas oriundos de diversas partes do país e da América do Sul, distribuídos nas três distâncias: 5, 10 e 21 km, ou meia maratona – alvo principal de mais da metade dos inscritos. No trapiche da Beira Mar Norte foi armado todo o cenário. E a natureza brindou a todos com uma manhã excepcional para correr.

Ao terminarem a prova, os corredores recebiam suas medalhas e recuperavam as energias com água, frutas,  isotônico e outros produtos oferecidos pelos apoiadores. Ainda tinham a possibilidade de fazer uma massagem oferecida pela organização, através da equipe de profissionais da Elementos massoterapia, brilhantemente conduzidos pela Rose e pela Fran.

Para acelerar ainda mais o processo de recuperação dos atletas, a Corre Brasil passou a oferecer a crioterapia em suas provas (piscinas de água gelada). Valeu organizadores, os corredores agradecem.

O dia foi perfeito para correr, e muitos atletas fizeram seus recordes pessoais. Infelizmente, o brilho da festa ficou ofuscado pela atitude antidesportiva de um dos inscritos na distância dos 21 km que, comprovadamente, fraudou mais da metade do percurso, valendo-se da ajuda de algum veículo motorizado. A ação foi muito bem executada para ter sido definida durante a prova, ou seja, deve ter sido premeditada.

A suspeitas começaram na premiação da categoria 50-54 anos, onde ele fora classificado como primeiro colocado, com Claudiney Vellozo (equipe 4Run de Curitiba, tempo de 1:21:13) e Joelson Coelho (do Clube de Corrida Formacco, aqui de Floripa, com 1:23:50) completando o pódio. Claudiney também foi o vencedor da prova no ano passado, com 1:22:22; e Joelson, o quarto, com 1:28:39. Ambos melhoraram sensivelmente seus tempos.

Como Claudiney e Joelson são corredores que comumente figuram no topo dos resultados na categoria – quando participam das provas, diferentemente daquele que ocupou o lugar mais alto neste domingo, alguns atletas ficaram curiosos e foram investigar, afinal de contas, parecia que um novo e forte competidor havia surgido.

Ajudado por alguns amigos, Leandro Heinzen, começou a pesquisar. Bastou ver as informações publicadas na página do atleta no aplicativo Strava momentos depois da prova (e apagado horas depois) para ter fortes indícios de fraude: um percurso bem diferente ao da prova, e com paces absurdos (pace, no linguajar dos atletas, é o tempo necessário para percorrer um quilômetro). Em alguns momentos registrados, o atleta teve pace inferior a 1’00” (um minuto e zero segundos), ou seja, sua velocidade foi superior a 60 km/h. Nem Usain Bolt, nem Elliud Kipchoge, os homens mais velozes do planeta, cada um na sua modalidade, são capazes de atingir tais velocidades.

Com esses dados em mãos, na tarde do mesmo dia da prova foram acionados vários atletas, pessoas responsáveis por assessorias esportivas e a organização, bem como, posteriormente, o responsável pela equipe cuja logomarca estava estampada na camiseta do suspeito e a Federação Catarinense de Atletismo. Tudo no intuito de averiguar e tomar as devidas providências, caso fosse comprovada a fraude.

O fato tornou-se ainda mais evidente pelo percentual muito menor de fotos do atleta, em comparação ao de demais participantes na mesma modalidade, feitas pelo Foco Radical (grato por cobrir todos os eventos esportivos), e pela ausência de cliques em determinados pontos da prova. A fraude estava praticamente comprovada.

De posse de todas as informações coletadas, coube às entidades responsáveis tomar a decisão de desclassificar o atleta, fato publicado nas mídias sociais pela Corre Brasil no dia 27 de novembro.

A GD A assessoria Eesportiva, antes mesmo de ser oficializada a punição, publicou no seu canal do Instagram o repúdio a conduta do atleta e o seu desligamento do grupo.

A organizadora procedeu a recuperação do troféu de primeiro lugar e fará as devidas correções futuramente.

Os resultados parciais do atleta nesta prova foram também comparados com os da edição anterior. E, dadas as semelhanças, suspeita-se de  que já no ano passado deva ter sido usado algum meio ilícito no percurso, tais as discrepâncias nos paces aferidos em cada um dos três trechos (1º: da largada no trapiche até o retorno próximo do túnel; 2º: do retorno próximo do túnel até o retorno na entrada para o Córrego Grande; 3º: da entrada do Córrego Grande até a chegada).

No segundo trecho,  o pace é quase 2 minutos menor, ou seja, mais rápido, do que no primeiro. E mais de um minuto e meio menor em relação ao terceiro. Quem corre sabe que isso é pelo menos suspeito. O resultado provavelmente não foi investigado porque o tempo obtido não lhe deu direito ao pódio, não ganhou notoriedade.

Notou-se também que atletas inscritos nos 21 km chegaram antes mesmo dos atletas da elite na mesma distância. Ou seja, provavelmente não estavam tão atentos às indicações de que os primeiros retornos eram para os inscritos nas modalidades dos 5 e dos 10 km e usaram destes para voltarem para a linha de chegada. Nestes casos, como não têm parciais registradas no ponto de aferição e controle no Córrego Grande, e seus tempos finais são inferiores ao da elite, naturalmente devem ter sido excluídos da competição automaticamente.

Cabe salientar que é responsabilidade do atleta ler e seguir o regulamento da prova. Lá estão escritas todas as orientações necessárias para que o seu desempenho seja o melhor e mais tranquilo possível, mostrando o que o é e o que não é permitido, as atitudes passíveis de punição, o(s) percurso(s), os pontos de hidratação e de apoio médico e até da localização de banheiros químicos.

A conduta deste atleta não condiz em nada com o espírito esportivo, onde o objetivo é atingir o topo mais alto do pódio com muito trabalho, suor, ética, responsabilidade e respeito aos demais participantes. É preciso repudiar e punir fortemente tais atitudes. Nas competições internacionais, participantes com resultados positivos em exames de doping – por exemplo, são suspensos e até banidos.

Neste ano de 2019 foram detectadas fraudes de brasileiros em Boston, a mais longeva e sonhada maratona mundial – ocorrida em abril, na maratona de Porto Alegre – em junho, e agora aqui na meia de Florianópolis. TODOS os  envolvidos foram devidamente desclassificados.

Nas provas, a cobertura de empresas como a Foco Radical é tremendamente valiosa na elucidação destes tipos de fraudes, pois registra cada instante dos atletas na prova, da largada à chegada.

Enfim, agradecemos a todos que ajudaram a elucidar o caso. Principalmente aos responsáveis por tomarem a atitude que todo o Brasil anseia que aconteça em todas as esferas, não só no esporte: a punição quando comprovado o ilícito.

Nosso muito obrigado à GD Assessoria, à FCA e à Corre Brasil, o universo dos atletas aplaudem de pé a vossa atenção e dedicação que deram ao caso e às atitudes tomadas. Que sirva de exemplo para que no futuro condutas como desse corredor não mais aconteçam.

Claudiney, Joelson e Rui, vocês são os três verdadeiros merecedores do pódio na categoria 50-54 anos da 15ª Maratona Internacional de Florianópolis. Parabéns! Esperamos contar com vossas presenças em 2020.

Resultados podem ser consultados na página da organizadora:
http://www.correbrasil.com.br/resultados-2019
http://www.correbrasil.com.br/copia-resultados-2018

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