A Ilha do Campeche o maior acervo e representatividade desta arte deixada pelo homem pré-histórico

Na Ilha do Campeche assombram a água transparente do mar, a exuberância dos tiés-sangue e as curiosas inscrições rupestres espalhadas por todos os lados. Depois de caminhar por aproximadamente 20 minutos, já é possível observar as primeiras inscrições rupestres. Os pesquisadores que estudam a arte deixada há séculos na ilha conseguiram catalogar mais de 150 desenhos, em diversos pontos.

São 10 sítios arqueológicos (onde foram encontrados grupos de figuras, restos de comida, sepultamentos, armas, etc), 9 estações líticas (onde eram usadas água e areia para afiar ferramentas) e 1 sambaqui (um amontoado de conchas, onde eram enterrados os mortos e os animais, mas onde foram encontrados também ferramentas e armas).

Basicamente, os desenhos são geométricos e têm formas humanas e de animais. Essas figuras são formadas por meio de círculos, triângulos, quadrados e há uma ocorrência muito estranha de hexágonos e a ilha é o único lugar do mundo onde essas inscrições foram vistas até hoje e ao todo, a Ilha do Campeche tem 58 hexágonos inscritos nas pedras.

Sabe-se apenas que há um grande conteúdo religioso, espiritual mas é difícil saber o que realmente se passava na cabeça de um povo cuja cultura desapareceu.

A Ilha do Campeche é um dos paraísos naturais mais exuberantes do país também pelo valor arqueológico,  possui a maior concentração de oficinas líticas e gravuras rupestres do litoral brasileiro.

As inscrições rupestres e as oficinas líticas fazem parte do cenário de rara beleza e singularidade. O sítio arqueológico e paisagístico abrange a totalidade da ilha, onde estão sinalizações rupestres, oficina lítica de polimento, sítio cerâmico e sambaqui.

Entre os tesouros deixados pelos povos antigos está um conjunto de inscrições e registros considerado de grande importância por ser a maior concentração desse tipo num único sítio arqueológico em todo o litoral brasileiro. São desenhos que lembram flechas e máscaras, símbolos geométricos, um monolito (Ferro Elétrico) com nove metros de altura e um ponto magnético sinalizado com inscrição rupestre onde as bússolas têm comportamento alterado. 

Há, ainda, remanescentes de ruínas de armação de baleia, datada de 1772. A população pré-histórica habitante da ilha praticava a agricultura, mas tinha na pesca e coleta de moluscos as atividades básicas para sua subsistência. O local possui ainda .

Os indícios de sua presença encontram-se nos sambaquis e sítios arqueológicos cujos registros mais antigos datam de 4.800 A.C. As sinalizações rupestres foram gravadas ou pintadas por populações pré-históricas em paredes de cavernas, abrigos, paredões ou blocos rochosos no solo.

A oficina lítica de polimento é um sítio formado por amoladores e bacias de polimento fixo: conjuntos de marcas e depressões, que aparecem nas superfícies dos afloramentos rochosos de praias e beira de rios e lagoas, provocadas pelo polimento de artefatos esfregando as pedras contra a rocha suporte. Os arqueólogos interpretam que a grande quantidade de oficinas líticas nessa região está ligada à atividade de corte de árvores para a produção de esteios de cabanas e canoas. Os sítios cerâmicos são de duas populações ceramistas distintas, conhecidos na arqueologia como a Tradição Itararé (Gê) e a Tupiguarani (Guarani). A principal inovação tecnológica destes grupos horticultores foi a confecção de vasilhas cerâmicas.

Quanto ao sambaqui, é formado por conchas (ostra, marisco, berbigão e outras) amontoadas intencional-mente por antigas populações, onde se encontram instrumentos de caça e pesca, peças produzidas em concha e ossos de animais e sepultamentos humanos. Os construtores dos sambaquis, chamados de pescadores-coletores-caçadores, ocuparam o litoral e utilizaram os recursos naturais dos rios, lagoas, mangues, praias e florestas.

Situada na costa sudeste da Ilha de Santa Catarina, compõe-se de formação de Mata Atlântica contornada por costão rochoso, onde se encontram gravuras e oficinas líticas. O local é tombado pelo Iphan como patrimônio arqueológico, etnográfico e paisagístico brasileiro desde 2000. Desde 1998, quando foi solicitado o tombamento, o Iphan–SC tem dedicado especial atenção à ilha. A gestão abrange desde o monitoramento das trilhas e dos sítios arqueológicos até o envolvimento e formação da comunidade nas atividades de visitação educativa.

Sítios Arqueológicos

  • Ferro Elétrico
  • Pedra Preta do Norte
  • Pedra Fincada
  • Saco do Rosa
  • Conforto
  • Saco da Fonte
  • Letreiro
  • Triste
  • Pedra Preta do Sul
  • Lageado

Obs.: No IPHAN,todos os sítios de representação rupestre estão reunidos em um único registro. 1966

By |2019-04-17T21:19:04+00:0017 abril, 2019|Campeche|0 Comentários

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