Flanelinhas intimidam moradores e banhistas no Novo Campeche. “Aqui é eu que comando!”

By |2018-11-30T16:31:14+00:0030 novembro, 2018|

A temporada nem começou e os flanelinhas já tomaram conta das ruas e avenidas no Novo Campeche.

Segundo a denúncia, o valor cobrado é de R$15,00 para estacionar o carro na região, este valor também chega a ser pedido dos próprios moradores do bairro, que ficam intimidados pelo risco de ter o seu patrimônio depredado.

Sou moradora do novo Campeche e ao estacionar meu carro pra ir a praia fui abordada por um flanelinha, que já veio dizendo que lá o esquema era esse, que ele cuidava e eu pagava no final . Que lá era ele comandava. Pedi a credencial e perguntei se ali tinha virado zona azul, e ele disse que lá o esquema era assim.
Todos os anos somos surpreendidos  por flanelinhas no Novo Campeche , e nós como moradores e frequentadores assíduos, ficamos com medo de sermos ‘marcados’ se não dermos dinheiro e acabar com nossos bens riscados e danificados.” Declara Mariana Heberle, moradora do Campeche.

Pedir dinheiro não é crime, mas a intimidação é uma prática criminosa.

Importante que a sociedade esteja organizada para auxiliar o trabalho policial, mas não podemos retirá-los. A população não é obrigada a pagar os serviços de um flanelinha e, caso seja intimidado, o cidadão dele ligar para o 190.” esclarece a Policia Militar.

Lei

A Polícia Militar afirma que, apesar de ser um crime, coibir flanelinhas é um trabalho difícil pelas questões judiciais. “A questão do guardador de carro, conhecido como flanelinha, é de difícil repressão e controle, pois não há um crime específico no qual a gente possa enquadrar para coibir essa ação. Ela é nociva e grave, pois se trata de uma forma velada de extorsão”, afirma o coronel Araújo Gomes.

Segundo o coronel, a polícia buscou na lei federal 6242/75, da década de 70, uma forma de tentar coibir a ação dos flanelinhas. A lei regulamenta a profissão de guardador de carro e lavador autônomo de veículo, exigindo registro na Delegacia Regional do Trabalho. Sem esse registro, eles podem ser processados por exercício ilegal da atividade.

Para a polícia, a colaboração de todos é necessária para solucionar o problema. “Polícia e sociedade precisam dizer junto um basta e que não dá mais, e sistematicamente começar a se recusar a pagar. Pode haver problemas no início, necessidade de prender algumas pessoas, necessidade de intensificar o patrulhamento para garantir o patrimônio de quem se negou a pagar, mas eu não tenho a menor dúvida de que a médio prazo essa atividade deixa de ser rentável”, defende o coronel Araújo Gomes.