Comissão Internacional da Baleia (CIB) aprova caça de 1 mil baleias para uso tradicional e nega criação do Santuário das Baleias no Atlântico Sul, no Costão do Santinho.

By |2018-09-12T22:55:20+00:0012 setembro, 2018|

Na manhã desta quarta-feira, a 67º reunião da Comissão Internacional da Baleia (CIB) aprovou a caça de mil baleias para fins de subsistência indígena em países como Rússia, Estados Unidos, Dinamarca (Groenlândia) e St. Vincent & Grenadines. O governo brasileiro se absteve nesta votação.

Por Fernanda B Muller, ISAS

Cercada de polêmicas e interesses dos países baleeiros a Comissão negou a criação do Santuário de Baleias no Atlântico Sul, proposta que vem sendo submetida desde 2001.

Uma vez mais a proposta do Brasil, Argentina, Uruguai, África do Sul e Gabão para criar um Santuário de Baleias do Atlântico Sul foi bloqueada pelo bloco de países pobres reféns da pressão econômica do Japão na Comissão Internacional da Baleia. Apesar de obter, como em vários anos anteriores, uma maioria de votos, a proposta precisaria de 3/4 de votos para ser aprovada. Foram 39 votos favoráveis, 25 contrários e três abstenções”, comentou José Truda Pallazzo Jr, do Instituto Baleia Jubarte, um dos propositores do Santuário.

Outra questão muito polêmica que será considerada durante a reunião é o fim da moratória contra a caça à baleia, proposta do governo japonês que deve ser votada na quinta-feira. Criada em 1946 para “regular” a caça à baleia em nível global, a comissão aprovou uma moratória à caça comercial destes animais a partir de 1986. Porém, Japão, Noruega e Islândia continuam matando baleias sob o pretexto de ser caça “científica” e objeção legal à moratória.

A Comissão ainda deve votar a Declaração de Florianópolis, proposta brasileira que defende a preservação das baleias e questiona a validade da caça comercial e com fins científicos.

Manifestações

Durante esta semana, a Comissão vem sendo realizada em meio à protestos de ONGs internacionais e ativistas locais. No domingo, delegações de países baleeiros foram recebidas por ativistas da ONG Sea Shepherd Conservation Society já no aeroporto em uma manifestação organizada em parceria com a ONG Divers for Sharks. Na parte da tarde, uma remada foi organizada pela ONG Surfers for Cetaceans na Praia do Matadeiro em defesa às baleias.

Ainda no domingo, o grupo de artistas locais “Os Indirigíveis” realizou uma manifestação pacífica, porém impactante, na porta do resort. Ativistas ensanguentados simulavam a morte das baleias e seus filhotes, denunciando a ganância e corrupção que notoriamente é apontada por ONGs como os grandes problemas por traz da aprovação das cotas de caça à baleia dentro da CIB.

Na noite do domingo, o Instituto Socioambiental da Praia do Santinho e a Sea Shepherd exibiram o filme The Cove no Boteco da Lomba, ponto estratégico na passagem para o resort. Cerca de 40 pessoas assistiram o filme que depois contou com um debate entre Wendell Estoll, diretor geral da Sea Shepherd Brasil, José Truda Pallazzo Jr do Instituto Baleia Jubarte e Rafael Freitag, do ISAS. Para fechar, o fundador da Sea Shepherd, Capitão Paul Watson, deu a sua contribuição em uma ligação ao vivo e prometeu continuar a batalha da ONG contra os baleeiros.

Na segunda e terça-feira, manifestantes da ONG Hard to Port, que combate a caça de baleias na Islândia, da Sea Shepherd Paraná, da Surfers for Cetaceans e do ISAS se concentraram em frente ao hotel.

Já nesta quarta-feira, a ONG Surfers for Cetaceans realizará um debate na Universidade Federal de Santa Catarina às 19h, no Centro de Física e Matemática, visando apresentar o cenário internacional de conservação dos cetáceos.

Fonte: Instituto Sócio Ambiental Santinho

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