Projeto Ponte Viva: Pedestres ou veículos? O debate sobre o uso da Ponte Hercílio Luz.

Projeto Ponte Viva: Pedestres ou veículos? O debate sobre o uso da Ponte Hercílio Luz.

By | 2017-10-09T19:44:12+00:00 9 outubro, 2017|

O debate sobre o uso da Ponte Hercílio Luz após o término de sua restauração mobilizou a comunidade de Florianópolis.

Com o auditório da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) da capital completamente lotado, representantes de diversos segmentos da sociedade participaram da “Oficina Criativa Governança em Rede – Nossa Ponte” promovida pela Associação FloripAmanhã, Prefeitura de Florianópolis e rede de parceiros.

Um dos principais pontos do evento foi primeira apresentação pública do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF) do Projeto Ponte Viva – Hercílio Luz para as pessoas (clique aqui para baixar os slides apresentados), com conceitos, e estudos que o órgão vem desenvolvendo ao longo do ano para a Ponte Hercílio Luz e sua integração com a cidade. De acordo com Michel Mittmann, da diretoria Metropolitana do IPUF, a intenção da prefeitura é a de que a Ponte Hercílio Luz seja aberta apenas para pedestres e ciclistas nos primeiros meses, com integração progressiva do transporte coletivo. O projeto prevê uma série de ações no entorno da Ponte e uma ampla discussão nos próximos meses com diferentes públicos para a definição final do que vai ser realizado.

A cidade está perdendo espaço para os carros. Carros não compram no comércio, carros não se apaixonam, somos nós que nos apaixonamos por eles. No fim, nos tornamos escravos e cedemos espaço”, disse Mittmann, que ainda apresentou uma comparação sobre a densidade habitacional e o movimento econômico da região central. “O nosso projeto aborda a mobilidade mas essa não é a questão principal. Dentro do projeto Ponte Viva vamos trabalhar conceitos de cultura, esporte, cidadania e lazer”.

O prefeito Gean Loureiro participou da Oficina e também defendeu o uso da Ponte Hercílio Luz integrado a um projeto urbanístico que favoreça a conectividade das pessoas com os espaços da cidade, não apenas como rede viária. Ele destacou a importância da Associação FloripAmanhã promover debates sobre o tema. “Nesse momento, precisamos contar com a ajuda de parceiros”, disse. “E a FloripAmanhã se transformou numa grande parceira para a construção de projetos e debates”.

O Deinfra (Departamento Estadual de Infraestrutura) estima que a ponte Hercílio Luz possa receber até 20% do fluxo das pontes Colombo Salles e Pedro Ivo Campos. De acordo com os cálculos do Plamus (Plano de Mobilidade Urbana Sustentável), as duas pontes em atividades recebem 150 mil veículos por dia, que transportam cerca de 193 mil pessoas.

O engenheiro Wenceslau Diotallévy, Fiscal das Obras de Reabilitação e Recuperação da Ponte Hercílio Luz, fez um alerta durante sua explanação. “É preciso ouvir o que a população quer, e pela experiência que temos muitas vezes o que achamos ser o melhor caminho não é o anseio da comunidade”, disse.

Pesquisa da FloripAmanhã: maioria quer ponte para pedestres, bicicletas e ônibus

Pesquisa realizada pela Associação FloripAmanhã mostrou que 46,5% dos participantes gostariam que a Ponte Hercílio Luz fosse utilizada por pedestres, ciclistas e pelo transporte coletivo. Outros 35,6% acreditam que a estrutura deve ser aberta apenas para pedestres e bicicletas. Ainda segundo o levantamento, 13,9% gostaria que apenas carros e pedestres pudessem utilizar o local, enquanto que 4% defendem a manutenção da ponte apenas como patrimônio artístico e cultural, sem a sua inserção no sistema viário.

A presidente da Associação FloripAmanhã, Anita Pires, destacou que a Ponte Hercílio Luz é um símbolo do estado e que por isso existe tanta mobilização sobre o uso da estrutura e de todo o seu entorno após a revitalização. “Temos uma longa história de amor com a ponte. Ela é o símbolo de nosso estado, nosso cidade”, afirmou. “A oficina foi construída coletivamente e reuniu entidades ligadas ao urbanismo, representantes do governo estadual e prefeitura, universidade, técnicos e sociedade civil. Debatemos para ver o que será possível fazer após a conclusão da revitalização”.