Florianópolis, um pouco de história da nossa ilha.

Florianópolis, um pouco de história da nossa ilha.

By | 2017-08-17T18:35:49+00:00 9 dezembro, 2015|Tags: |

Santos, santas, paisagens, rios. Tem homenagem para todo o lado quando o assunto são os nomes dos bairros e comunidades de Florianópolis.

Alguns nomes podem soar estranhos hoje em dia e muitos significados se perderam com o tempo.
Para resgatar cada um deles, o professor Nereu do Vale Pereira, um dos autores do Dicionário Topônimo de Florianópolis, que ainda não foi lançado, nos deu uma verdadeira aula, adiantando um pouco do estudo feito para a construção da obra. Confira algumas destas curiosidades:

Abraão: Nada a ver com o profeta

Muito embora diversos nomes de localidades da Ilha se devam a personagens do catolicismo, o significado do Bairro Abraão nada tem a ver com o profeta bíblico. De acordo com o professor Nereu do Vale Pereira, o correto seria chamar o lugar de Abrão, como foi batizado pelos antigos moradores do local. Área de recreação popular entre os moradores da Ilha do Desterro, era chamada de Abrão, por se tratar de uma abertura grande de mar.

Haja sacos nesta cidade

Saco Grande, Saquinho, Saco das Baleias, Saco dos Limões, Saco da Lama… O que não falta é Saco na Ilha, não é? Mas o nome desses locais não se deve a um saco de pano, de papel, de plástico. Saco, nestes casos, quer dizer enseada.

Canasvieiras: Grande canavial

Foi uma variação de cana, a Cana Vieira, gramídio de caule longo abundante no Norte da Ilha que deu nome a Canasvieiras. Com o tempo, o plural Canavieiras foi popularizado como Canasvieiras e é chamado assim até hoje.

Calheta, não galheta

O nome oficial é Galheta. Mas a praia de nudismo foi batizada como Calheta ? há registros de 1932 com esta nomenclatura ? justamente pela geografia do lugar. Calheta quer dizer “entrança de mar” em forma de calha. Nereu explica que galheta, em vez disso, significa pequeno vaso ou jarra usada em celebrações eucarísticas para guardar água e vinho ou recipiente para vinagre e outros condimentos.

Uma faixa muito estreita

A faixa de mar de cerca de 480 metros que separa o Bairro Estreito e a Ilha de Santa Catarina é a mais estreita entre a Ilha e o Continente. Por isso, o nome do bairro.

Enseada dos Limões?

As antigas embarcações eram insalubres e, não raramente, marujos sofriam de enfermidades diversas, em consequência disso. Na enseada hoje chamada de Saco dos Limões havia limoeiros. A fruta, que tem efeito terapêutico no tratamento e prevenção de doenças, era muito consumida pelos navegadores, que aportavam ali para desfrutar dos frutos dos limoeiros.

Lagoa Grande

Hoje point dos baladeiros na Ilha, a Lagoa da Conceição, teve o nome abreviado com o passar do tempo. No começo da colonização, era chamada Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Lagoa Grande, em homenagem à santa.

Pequeno Príncipe, nada!

Há quem diga que a Praia do Campeche recebeu este nome devido a um ilustre visitante, o escritor e aviador francês Antoine de Saint-Exupéry, autor de obras como O Pequeno Príncipe. Muito antes da existência do autor, em 1730, porém, há registros de que o local já era chamado de Campeche, não por ser campo de pesca, mas por causa de uma planta medicinal de mesmo nome.

Um ribeirão na Ilha

O Ribeirão da Ilha, originalmente recebeu um nome em homenagem a uma santa e com um referencial geográfico. Batizada como Freguesia de Nossa Senhora da Lapa do Ribeirão da Ilha, por causa do rio da localidade, teve o seu nome abreviado com o passar dos anos.

Armação: Caça de baleias

A empresa de caça de baleias Armação de Santana da Lagoinha acabou dando nome a uma das mais bonitas praias da Ilha, a Praia da Armação. A empresa foi erguida em meados de 1732.

Lagoa do Peri: Tá assim de piri-piri lá

Ao contrário do que se pode imaginar, não tem nada a ver com o personagem do romance O Guarany, de José de Alencar. O nome da Lagoa do Peri deve-se à planta de mesmo nome, abundante no local. Também conhecida como piri ou piri-piri. Como outras localidades, anteriormente esta lagoa também foi batizada pelos colonizadores com um nome santo para identificar e outro geográfico, que servia de ponto de referência. Foi chamada, então, como Lagoa de Sant’Ana.